segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Mon rêve réel


















A espuma da poltrona era fofa e acomodava minha cabeça cheia de sonhos quase como se fossem feitos um para outro. Eu sentia aquele vento macio entrando por debaixo da porta e o cheiro de verão invadia-me as narinas lembrando-me de um tempo em que os problemas eram apenas palavrinhas insignificantes de um vocabulário paralelo.

Eu desdobrava com cuidado o papel cor champagne, de textura tenuamente áspera, onde minhas iniciais estavam escritas. Não havia endereço ou o nome de algum misterioso remetente. E então, quando a extremidade esquerda foi desmembrada do corpo do envelope eram apenas eu e aqueles tantos papéis.

Desdobrei com cuidado as folhas e acomodei novamente a cabeça na poltrona, foi quando aquele calor envolveu meus ombros. Eu sentia teu abraço mesmo você não estando lá e o cheiro de um amor que ainda me é escuso fazia com que meus olhos transbordassem em sentimentos de saudade e devaneio.

A carta começou com uma bela letra. Seus contornos e sua forma não me eram suficientes para ligá-la a ninguém, porque aquela beleza e aquele papel não poderiam ter sido feitos por nenhuma pessoa feita de carne e osso. A tinta que letra a letra preenchia o papel, brilhava de forma dessemelhante aos meus olhos. Mas a cor, o cheiro e a textura que sentia em meus dedos foram-me, linha após linha, revelando por quem fora escrita aquela pequena obra de arte...

A leitura era contagiante e surpreendentemente abundante. Era enigmática e emocionante. Fazia-me rir em lágrimas, fazia-me chorar em risos. Cada palavra se acomodava em meu peito como uma criança se acomoda no colo de sua mãe. Apenas uma pessoa é capaz, eu bem o sei, de escrever e falar dessa forma. Apenas aquele que é capaz de nos ser único e imensamente vasto poderia revelar-me tão precioso tesouro. Apenas por aquele tão amado alguém nos tornamos eu e você e finalmente não mais dois. Apenas o amor maior de nossas almas poderia nos unir com perfeição e nos revelar de forma tão profunda e delicada um ao outro.

Sinto-me como se não pudesse conter em mim todo este sentimento trançado de tantas belezas e incertezas apaixonadas. Sinto-me como se o tempo nos fosse um pequeno inimigo e como se a falta do teu peito a soar o som de tua vida em meus ouvidos já não pudesse mais ser contido dentro de mim.

Aquela carta, tantos detalhes e digitais, o cheiro, a cor, este amor...

E então eu soube que você fora escrito perfeitamente e unicamente para mim.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Aquarela


E o ano novo chegou. Nos convidando pra inovar em cores, em amores, em vida.
Felicidades!



Para viver uma vida criativa devemos perder nosso medo de estarmos errados.
Joseph Pearce






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