sábado, 19 de dezembro de 2009

colossal

Eu decidi abrir meus olhos e enchergar as pessoas ao meu redor, sorrir mais e chorar menos, viver mais e reclamar menos. Cantar, dançar, gritar...Não importa o lugar.

Aprendi que os momentos não importam tanto, as pessoas que fazem parte dele, sim.

Aos próximos e aos distantes, aos que falo muito e aos que falo pouco, aos que possuem uma importância gigantesca dentro de mim, mesmo que não saibam...ou sim.



...a cada dia que passa eu percebo que esse sentimento cresce, como cresce.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

autarquia

Um vento incrivelmente temperado dançava com os fios dos meus cabelos e meus olhos se fechavam, quase que involuntariamente, desejando que aquele momento nunca passasse. Ficava a observar a água extremamente azul batendo nas rochas gigantescas sobre as quais eu estava. Aquele cheiro de liberdade e aquele ar tão cativante me fizeram ficar extasiada, completamente tomada por tão misterioso dom, capaz de me conquistar.

E agora aqui, observando a chuva, eu desejei possuir um par de asas; voar até o mais alto ponto e somente observar um pouco a beleza que vidra meus olhos. Realmente, agora eu queria fugir um pouco da solidão que acabou de bater à minha porta. Fui educada, mas não tenho a capacidade de compartilhar com ela mais que pequenos espaços de tempo. E acho que por isso me refugio nestes textos, nos simples dedilhados no violão, Nele, neles e nelas, debaixo das cobertas, na beira da sacada, no céu, nos livros, nas minhas composições, nas minhas risadas, nos beijos e nos olhares.

Que me perdoem tantos outros incríveis momentos, mas este é o único capaz de aquecer meu coração no dia de hoje: Aquele momento, no topo das rochas, onde eu encontrei a liberdade que aos poucos eu tinha permitido sair de mim.

Respirei fundo, olhei para a obra de arte abobadada sobre minha cabeça e então nada mais me impediu de ser feliz, nem mesmo um momento de solidão.

A liberdade é o oxigênio da alma.
Woody Allen

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

desafogo

Nesta tarde, uma dose de você não me faria mal, devo confessar. Faz-me falta o teu calor; aquele que derrete o medo que permeia em meu coração. Acalenta minhas palavras de forma tal que não posso pronunciá-las sem antes emoldurar meus dentes com meus lábios.

A dúvida que ainda perjura: o tempo à nós será fiel? A dicotomia ainda reina, infelizmente. Gostaria de afirmar que ainda acredito em tudo belo como antes, mas especialmente hoje, minha mente deu uma trégua a tudo isso.

Permita-me apenas dizer que lembro de cada momento com você, cada cheiro, cada gesto, cada olhar, cada palavra, cada toque, cada encanto meu...

Nesta tua voz escondiam-se manjares que eu conheço, mesmo que nunca tenhas compartilhado. Nenhum dos olhos que já traduzi expressam o que somente os teus são capazes de falar. Essa tua forma tão incrivelmente tua mexe de forma inconstante e viciosa com minha cabeça. E devo admitir que as vezes é difícil reconhecer que, por segundos, perco o controle de mim.

Ainda anseio pelo dia que cada incerteza vai-se evaporar. Neste dia, quem sabe, declaro tudo aquilo que lhe cabe e sempre coube. Não sei.


Porque esses jeitos que nos encantam não se explicam mesmo.
Martha Medeiros