quinta-feira, 29 de julho de 2010

Certaines choses


Brent Heighton, Romantic Stroll





Saia com seu sorriso da minha frente que eu quero passar. Hoje eu sou espinho. E espinho não machuca flor.

Clarice Lispector


Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. É um universo barato.

Álvaro de Campos


Há certas coisas que não haveria mesmo ocasião de as colocarmos sensatamente numa conversa - e que só num poema estão no seu lugar. Deve ser por esse motivo que alguns de nós começamos, um dia, a fazer versos. Um modo muito curioso de falar sozinho, como se vê, mas o único modo de certas coisas caírem no ouvido certo.

Mário Quintana






[...]

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Viva la vida!




Algumas pessoas são suficientemente capazes de nos deixar sem palavras quando vão embora. Esses quilômetros que criam fronteiras invisíveis e novos nomes de cidades mudam a forma como lidamos com aquele sentimento que nos aperta o peito; percebemos o quanto não estamos preparados para nos separar, mesmo que um pouco, das pessoas que amamos.

Bem disse Mário Quintana que a amizade é um amor que nunca morre... Como eu acredito piamente em cada uma destas palavras...

Tenho aprendido que a distância um pouco maior não é o fim, é apenas um novo começo. E toda história precisa de novos começos.

O filme que carrego comigo ainda não encontrou desfecho, na verdade ainda precisa de alguns anos de cenas, será que você ainda pode protagonizá-lo comigo?

Lembrando de tudo o que passamos juntas, das conversas no telefone, das risadas, dos choros, das longas exposições de opiniões, das críticas á sociedade, das noites em claro, dos mistos-quentes, dos comentários sobre roupas e sapatos, das dificuldades, dos sonhos, das mudanças, dos inúmeros cremes para cabelo, dos cheiros, das saídas, dos medos e principalmente do nosso Deus...

Eu dedico este texto a você, Suellen Rosa, porque eu a amo muito.

domingo, 20 de junho de 2010

Pois é



Trago no peito um desassossego nada modesto e um ritmo que me complica. Canto mesmo até perder a voz e grito quando meu coração decide saltar em euforia. Eu choro mais do que queria e abraço mais do que deveria. Não escondo o que tenho como verdade, por mais absurda que ela possa parecer. Eu acredito no amor, seja lá a quantas vistas. Guardo valores porque acredito que eles fazem a diferença. Não sou mulher de meias palavras, mesmo não sendo de todas elas. Já me reinventei pra puxar assunto, já falei mais do que deveria e já machuquei pessoas. E ainda erro.

Eu imito pessoas o tempo inteiro e falo com a tv. Não posso ficar com sono, é prejudicial à saúde alheia. Sou leal. Gosto de aprender com os meus defeitos e amo a ideia de ter sido criada com inusitados dons. Falo na frente do espelho e mecho o tempo inteiro nos meus pés. Não sei fazer minhas unhas. Não nasci para o futebol e ele não nasceu para mim, definitivamente. Ás vezes sou e não quero ser, ás vezes não sou e quero ser. Gosto de desfiles militares. Eu me apaixonei por um azul abobadado acima de mim, e ainda me apaixono, todos os dias. Gosto da chuva em dias ensolarados e quando estou triste um fim de tarde pode mudar tudo.

Gosto dos dias em que assisto uns dez filmes e daqueles em que leio um livro inteiro. Não sei apenas ouvir uma música, eu fecho os olhos, danço, levanto as mãos, canto junto, ou o encanto parece se perder no ar. Eu canto quando cozinho, converso comigo mesma e solto sorrisos avulsos antes de dormir. Sou livre por natureza e também por opção. É fácil tirar-me um riso. Não sou boa com frases feitas. Eu sento no chão e abro portas de banheiros públicos com os cotovelos. Não sinto falta de computadores. Sinto falta do meu travesseiro. Eu pertenço a Alguém, e sou completamente dependente Dele. Não me dou bem com pessoas arrogantes e me irrito com pessoas que não respeitam nada, nem ninguém.

Viajo nos meus pensamentos refazendo cachos com os dedos. Sonho em pé, acordada, sentada. Amo demais minha família. Sou dona de uma personalidade enérgica. Eu me importo com o que as pessoas dizem. Não me sinto a vontade frente à câmeras, mas falar em público não é difícil para mim. Tenho poucos amigos e os amo exatamente como eles são. Sou jovem e idosa por pura essência, sempre a fui, sempre a serei. Não vou a enterros. Não odeio nada, não amo tudo, adoro um único Alguém. Em dias maus eu me escondo em casa. E em bons dias eu ainda amo estar em casa. Cor, amor, verdade.

E que não se acabem as frases...