quarta-feira, 20 de abril de 2011

Flowers



Flores negras. Estou a pensar nelas. Talvez sejam tão singulares como o sentimento que sinto crescer em mim. Eu não sei porque o amar, mas eu o amo.

E não que eu conheça muito bem todas as facetas dessa palavrinha poderosa de quatro letras, mas se não é amor o que floresce dentro de mim eu não sei mais que nome a ele dar.

Disseram-me certa vez que é assim o amor, as nossas tão presentes palavras decidem saltar de lá para cá, brincam e fazem-me de boba, e eu não as consigo pegar. Solto-me risos sem saber o que é essa música a dançar em mim. Meu coração se enche de um doce que tenho vontade de mais beber. E lá se vai o que me restava de razão, mas eu não sinto tanta falta do chão...

São como flores negras. A primeira vista parece ilusão, fruto de boa imaginação. Mas então lá estão as sementes a romperem a terra, trazendo os primeiros brotos para um banho de sol. Uma hora eles simplismente mostram suas pétalas, suas misteriosas pétalas. E aqui ficamos, como expectadores estarrecidos.

São assim os sonhos que um dia Ele sonhou. Um dia eu abri mão de uma vida, porque Ele abriu mão primeiro por mim. Assim eu encontro o que é viver de verdade, o que é viver a vida com Ele, sonhar os sonhos Dele.

É pura loucura, eu sei. Mas não é louco flores serem fantasticamente únicas? Não é louco eu sentir o que sente o teu coração?

[...]

Este é um texto de amor.

Porque é este o mais lindo sentimento que Ele criou. Como poderia alguém criar o amor e não amar? Como criar a mais linda história de amor sem ser um nato romancista?

Quem ama não é egoísta. Gosta de escrever histórias, gosta de fazê-las reais.

Sei que não é nem um pouco fácil acreditar - vivendo no mundo em que vivemos - que existe alguém esperando que você diga: "Pode escrever a minha história". Sei que não é fácil entregar certas áreas da nossa vida para alguém que não sabemos ao certo se confiamos. Sei que não é fácil acreditar que Ele se preocupa ou que se importa com situações em nossas vidas que consideramos bobagens. Acontece que temos tantas falsas impressões a respeito do que é ou não importante, do que é ou não bom para nós, do que é ou não verdade...

Deus se importa com nossos relacionamentos. Deus se importa com nossos sentimentos. Deus se importa com o que falamos pra Ele.

Eu demorei certo tempo pra acreditar que Deus se importava com meus devaneios e borboletas na barriga. Mas comecei a perceber que o amor que Deus sonha para nós é um amor que transcede tudo aquilo que já pensamos, que já sonhamos.

As histórias que Ele escreve são mais belas que aquelas escritas em livros ou em roteiros de filmes. As histórias de Deus tiram o nosso fôlego, fazem saltar a nossa alma, nos surpreendem como nunca imaginamos nos surpreender.

Será que queremos crer? Viver essas histórias?

[...]

Tenho conversado com algumas garotas sobre amor e seus afins ultimamente.

Tenho percebido como nossa realidade é marcado por relacionamentos devastadores, traumáticos. Tenho visto, como cada vez mais, nos enganamos acreditando que Deus pode até se preocupar com todo o resto, mas que "falar desse assunto" é algo que Ele não faz.

Ele colocou isso em nós. Foi Deus quem nos deu os desejos, a paixão, o amor... Então, porque Ele não gostaria de ouvir-nos e compartilhar conosco Suas opiniões?

Batemos tanto a nossa cara na parede por não conhecermos o que Deus faz e como Ele faz! Nos enchemos de dúvidas, de ansiedade, de traumas, de marcas...

Nos tornamos frios, desacreditados. Nos vendemos fácil, nos entregamos fácil.

Afinal, temos vivido o verdadeiro amor?

Deus quer escrever uma história para cada um de nós. Uma história singular como são as flores negras.




Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste.
Colossensses 1.17

Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Eclesiastes 3.1

Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias.
Provérbios 31.10

A multidão dos homens apregoa a sua própria bondade, porém o homem fidedigno quem o achará?
Provérbios 20.6

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá. Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos. Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.
1 Coríntios 13

Se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares...
Salmos 139.9

















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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sentimento inebriante




Meninos de rua cheirando cola, garotas de nove anos grávidas, pais que não conhecem os filhos, filhos que não respeitam os pais. Ministros de plástico, levitas que se tornaram animadores de plateia. Mas a gente fecha os olhos e diz que está tudo bem.

Senta no banco da igreja no domingo e acha que assim cumpriu sua obrigação, porque é esse o evangelho que eu tenho ouvido por ai: Servir a Deus é algo que você faz pra receber algo ou pra não ir a um certo lugar. Não existe mais amor, não existe mais amor.

E quem se importa? Ei, quem se importa?!

Vemos mendigos nas ruas, e nem ao menos somos capazes de olhá-lhos nos olhos. Não nos importamos se a prostituta escondida nas sombras chora por ter que vender o seu corpo. Não nos importamos com os presidiários. E aqueles que não têm o que comer? E aqueles que não têm o que vestir?

Lá estão os orfanatos cheios de crianças buscando algum afago. Asilos cheios de dor, de abandono, de desprezo. Mas nós fechamos os nossos olhos e dizemos que está tudo bem.

Faculdade, carro, namorado, roupas, amigos, "talvez eu case", dinheiro... E o outro que se vire pra ser alguém e outro que se vire pra ter alguém.

Somos, cada vez mais, individualistas, mesquinhos, egoístas.

E pra justificar toda a nossa corrida atrás de coisas que nunca nos saciarão, dizemos que temos nos esforçado para isso, que somos vencedores, que temos que sonhar. E eu não nego que cada uma dessas palavras é verdade, temos mesmo que sonhar, somos mesmo vencedores, mas até quando nossos sonhos não vão incluir os sonhos dos outros? Até quando nossas vitórias serão baseadas somente em conquistas individuais?

Até quando vamos nos preocupar mais com a roupa que vestimos do que com o que está dentro do nosso coração?

Até quando vamos viver de verdades piratas, de pregações vazias, de falsa adoração?

Até quando vamos ficar presos na nossa religiosidade, na nossa mediocridade, nas nossas bobagens?

Nós nos fechamos em grupinhos, enquanto pessoas se sentem sozinhas, enquanto adolescentes cometem suicídio, enquanto jovens se maltratam, se batem, se punem.

Conhecemos Deus através de frases ditas por homens, mas não somos capazes de discernir a Sua voz. Se nos perguntam: Quem é o seu Deus? Ou ficamos sem resposta, ou jogamos jargões que lemos em blogs, que ouvimos em um dvd ou mesmo que lemos na Bíblia - livro lindo e perfeito. Só que Deus é mais que tudo isso. E a vontade Dele é que esse evangelho podre, que vive atrás de uma armadura de papel de seda se derrame de verdade, se entregue de verdade.

Fico me perguntando se somos capazes de revelar pra Deus nossos desejos mais íntimos, nossas falhas mais banais, nossos sonhos, o que temos pensado.

E, de súbito, percebo que não. Nós preferimos fechar os olhos e fingir que está tudo bem.

Alguma vezes, recebi respostas assim: Deus não vai me entender, Deus vai me julgar, Deus nunca me aceitaria da forma que estou/sou. Mas, sabe, na verdade, somos nós que não nos entendemos, nós que nos julgamos, nós que não nos aceitamos. Transferimos essas impressões pra Deus porque nós não O conhecemos, não conhecemos Seu caráter, Sua forma de enchergar o mundo.

Usamos nossos próprios óculos pra ver tudo a nossa volta, pra ver tudo dentro de nós. Cada vez mais, tiramos Deus das nossas programações, dos nossos sonhos, da nossa vida.

E o que mais me surpreende em tudo isso é que, mesmo assim, Deus continua a nos amar, continua sonhando conosco.

Por que Ele deixa isso acontecer? Talvez porque Ele nos respeite.

Mas a questão aqui é: Por que nós temos deixado isso acontecer? Afinal, não somos tão alheios a nossa vida assim.

Há algum tempo atrás Deus me deu uma visão: Jovens e adolescentes dentro de uma igreja bem grande. Suas mãos estavam sujas de lama e eles passavam toda aquela sujeira nas paredes da igreja. Jogavam barro uns nos outros, miravam alvos nas paredes e competiam para ver quem sujava mais o lugar. E tudo isso com um sorriso nos lábios, satisfeitos.

É isso que fazemos, todos os dias. Emporcalhamos não somente o templo em si, aquele feito de tijolos e cimento, com nossas fofocas, críticas vazias e falta de transparência, mas também o nosso próprio templo, o nosso próprio corpo.

Nossa mente é um campo minado, nossas curvas/nossos músculos são usados para impressionar os outros, nosso coração está dilacerado por relacionamentos nada saudáveis.

E tudo isso com um sorriso nos lábios.

Sabe, somos como um quarto fechado, escuro, cheio de mofo, bichos, sujeiras. Ficamos trancados lá dentro dizendo para nós mesmos que não somos nada. O nosso cabelo é feio, a nossa cor é estranha, a nossa vida é esterco.

Existe alguém querendo entrar neste quarto. Existe alguém que quer acender a luz, que quer ajudar-nos a limpar as paredes, a organizar as coisas, a botar os bichos para fora. Ele quer levar-nos a frente do espelho, tirar a venda de nossos olhos e mostrar coisas que não enchergávamos dentro de nós. Ele vai nos provar o quanto somos lindos, o quanto somos queridos, o quanto somos importantes, porque Ele sim sabe quem somos.

Quando permitirmos que isso aconteça, poderemos então olhar para os que estão a nossa volta e que nunca ouviram falar dessas coisas. Então nós o ajudaremos de verdade, então nós seremos como Cristo é.

Ele se importa com os outros.

A lógica disso é que um ajudaria o outro. Enquanto você ajuda alguém, alguém ajuda você. Isso é impossível? É ser lunático demais?

Esta é a questão, talvez seja hora de mudarmos os nossos conceitos.

Que tenhamos um amor parecido com o do profeta Oséias por aquela prostituta. Enquanto todos os homens a olhavam como um objeto de luxúria, ele a olhava com amor, com zelo. Enquanto o mundo a desprezava, ele sonhava em fazê-la sua esposa, em cuidar dela. Ele foi capaz de abrir mão de sua reputação, de não se importar com os falatórios alheios e de cuidar daquela mulher, simplismente porque ele a amava.

Isto é evangelho, isso é ser alguém parecido com Cristo. É amar, amar, amar.




Portanto, esforcem-se para ter amor.
1 Coríntios 14:1a









terça-feira, 12 de abril de 2011

Pic nic





Eu não conseguia tirar meus olhos daqueles lábios a sorrirem. A alegria dele contagiava-me, contagia-me. Eu fico a pensar naquele menininho a fechar os olhos, a gargalhar, a chorar e a se entortar todinho com minhas cócegas.

Um "pára" nada sincero. Uma vontade imensa de viver. Brilho nos olhos, vida nas veias, pura inocência a transformar meu mundo.

Inocência a transformar meu mundo.

Quando você olha nos olhos de uma criança o que você vê? Quando você olha seus olhos no espelho o que você vê? Quando você olha os olhos de um frentista o que você vê? Quando você olha os olhos dos seus pais em uma conquista sua, o que você vê?

O que você tem visto nas pessoas? O que você tem procurado encontrar nelas?

Vindo para casa numa tarde leve, gostosa e surpreendente como esta, eu fiquei a pensar em Mateus 18:3 que diz que se não nos convertemos e não nos fizermos como meninos, de modo algum entraremos no reino dos céus.

Em uma tarde de abril, eu quero apenas ter um coração puro como os das crianças. Um coração que gargalha com as cócegas, que não se cansa de ser feliz, um coração apaixonado, simples, contrito, aberto a aprender, um coração que brinca, que chora quando quer chorar, um coração que não se preocupa se a roupa está toda amassada, se o cabelo está despenteado, um coração mais despreocupado.

Que se esvaiam de mim essas coisas de gente grande. Esses problemas que nos impedem de crer. Eu a me surpreender dançando um reggae e amando um amor maior cuidando de mim.

Eu fecho meus olhos, eu solto um falso "pára", eu brinco de ser feliz e brincando eu sou feliz.

Lá, lá, lá enamorado [...]

Hoje são muitas as palavras que eu queria escrever, mas eu não sei como colocá-las para fora. Eu sinto uma grande alegria tomando conta de mim, e não sei se choro, se sorrio, se canto, se grito, se corro, se pulo...

Um coração simples como os das crianças. Um coração segundo o caráter de Cristo.

[...]

Existem pessoas morrendo em todas as partes do mundo sem conhecerem um coração assim, o mais lindo e sublime coração. Muitas estão a caminhar nas calçadas, a olhar nas janelas dos carros, do ônibus. Muitas estão em casa...

O que você tem visto nas pessoas? O que você tem procurado ver nelas?






Uma criança balança as pernas ritmicamente por excesso de vida, não pela ausência dela. Pelo fato de as crianças terem uma vitalidade abundante, elas são espiritualmente impetuosas e livres; por isso querem coisas repetidas, inalteradas. Elas sempre dizem: "Vamos de novo"; e o adulto faz de novo até quase morrer de cansaço. Pois os adultos não são fortes o suficiente para exultar na monotomia. Mas talvez Deus seja forte o suficiente para exultar na monotomia. É possível que Deus todas as manhãs diga ao sol: "Vamos de novo"; e todas as noites à lua: " Vamos de novo". Talvez não seja uma necessidade automática que torna todas as margaridas iguais; pode ser que Deus crie todas as margaridas separadamente, mas nunca se canse de criá-las. Pode ser que Ele tenha um eterno apetite de criança; pois nós pecamos e ficamos velhos, e nosso Pai é mais jovem do que nós.
G. K. Chesterton

Feliz aquele que teme a Deus, o Senhor, e vive de acordo com a Sua vontade! Se você for assim, ganhará o suficiente para viver, será feliz e tudo dará certo para você.
Salmos 128:1-2

E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.
Romanos 12:2