segunda-feira, 9 de julho de 2012

Posso?

Escutando uma música, senti saudade de comandar uma valsa com os dedos no teclado. Esse meu dedilhado devaneio e deveras insano tantas vezes. Há muito tempo eu não me deleito mais nesses versos que vem e vão, nas ideias que ficam, naquelas que ainda nem sei. 

Mas deixa o dedo dançar, deixa o vento me tocar, deixa eu sorrir. Deixa sim. 

Deixa ser saudade, deixa sentir saudade, deixa fazer, deixa perder, deixa chorar, deixa esquecer, deixa se encontrar, deixa Ele cuidar, deixa os medos pra lá, deixa eu dançar. Deixa eu ficar aqui. 

Hoje eu só quero ficar aqui. 


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Alguns verbos

O sono não veio ontem. Deitada com o travesseiro contra o rosto fiquei pensando na vida que não tão minha vivo. Deu vontade de ler, li. Deu vontade de trocar de lado, troquei. Deu vontade de jogar o cabelo pra frente, joguei. Deu vontade de fingir um grito, fingi. Deu vontade de tirar uns cravos do nariz, tirei. Deu vontade de fazer careta, fiz. Deu vontade de mandar um beijo, mandei. Deu vontade de piscar os olhos bem devagar, pisquei. Deu vontade de escrever, escrevi. Deu vontade de um abraço, cadê você pra me abraçar? Deu vontade de gargalhar, gargalhei. Deu vontade de dançar "Wavin' flag", dancei. Deu vontade de enlouquecer,  cá estou. Louca de amores, como sempre.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

00:13





Acordar a vizinhança cantando. Não? Tá. Não. Não deu. E visitar as muchachas um pouco longe daqui? Aham. Sério? Não. Tá. Que tal dormir? Agora não. Tomei café. Essa hora? Uhum. Que pena. Vamos conversar? Boa noite [...] Você é feliz? Uhum. E você? Também sou. Dar pra ser mais? Acho que dá. Como? Chamando a vizinhança no meio da noite pra visitar as muchachas. Legal. Sério? Felicidade pode irritar e tira da rotina. Gostei.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Descanso





Zhu Guo Liang, célebre estrategista militar, estava certa vez rodeado por oito mil soldados inimigos que cercavam as muralhas da cidade. Ele estava encurralado e sabia que enviar um sinal de fumaça a um aliado distante em busca de ajuda apenas convenceria o inimigo de que ele estava se sentindo fraco e desesperado. Então, abriu os portões da cidade e sentou-se numa cadeira, no pátio de entrada vazio, dedilhando seu pipa, um instrumento semelhante a um alaúde, e cantarolando músicas de sua terra natal, de olhos fechados. Os batedores do exército inimigo ficaram surpresos as depararem com Zhu se divertindo, indiferente ao assédio avassalador que ocorria naquele momento. Silenciosamente, saíram da cidade mais rápido do que haviam chegado, acreditando que o astuto Zhu tivesse preparado um contra-ataque de surpresa e estivesse apenas esperando que eles entrassem afoitamente. Ninguém poderia acreditar que Zhu contava com apenas duas dúzias de soldados dentro dos muros da cidade.

Em "A montanha e o rio" de Da Chen, página 145, 2° parágrafo.



É estranho descobrir e acreditar que Deus quer que nos deleitemos Nele, é difícil crer que podemos descansar em Seu amor. É quando buscamos, de todas as formas, "cuidar da nossa vida", "correr atrás dos nossos sonhos". Encontramos nossa vida, no entanto, quando permitimos entregá-la Aquele que pode revela-la a nós: Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á (Mt 16:25).

Quando descanso vem o ânimo de descobrir, de fazer, praticar, agir. Quando foge a razão, eu compreendo a vida. Quando vivo de forma diferente encontro Nele o sentido de tudo.

Despreocupar-se. E então se permitir fazer e acontecer verdadeiramente.


sábado, 28 de janeiro de 2012

A beleza no contraditório

Não sei como começar este texto da melhor forma e digo logo de início pra que falsas expectativas não sejam criadas. Estava prestes a escrever que este não era um texto sobre coisas bonitas, ou tentativas sublimes de escrever o que sinto ou penso com algumas belas palavras ou inspirações que vêm de repente, mas então me lembrei que nas não belezas existem belezas e que, assim, a beleza é justamente o contraditório do que é bonito e do que não é. 

Confesso que eu não entendo bem isso, mas por alguma razão, sei que é verdade. Vou tentar explicar tudo o que têm se passado em minha mente já a alguns dias...

Até pouco tempo, minhas ideias a respeito do mundo, das pessoas, de relacionamentos, da vida eram um tanto quanto ideais, quimeras muito "reais" para mim e eu não conseguia me imaginar vendo o mundo de outra forma. Muitas vezes me senti um pouco "fora da casinha", descriminada, maluca e adjetivos na mesma linha.

Mas então, talvez por um golpe do que me diziam ser a realidade, eu me tornei uma pessoa um pouco pessimista, não estava vendo as coisas tão perfeitas e as pessoas tão boas. Comecei a ver as "feiuras" do que até a certo momento era muito belo para mim. E muitas vezes aquele lado pesou mais. Fui responsável por quase destruir meus sonhos que eram infantis, apesar de não ser mais uma criança. 

Tive um colapso nervoso, uma crise de identidade - ou personalidade, como queira - e realmente comecei a questionar muitas coisas, a sentir raiva, a não compreender mais do que já não compreedia, a chorar bastante.

Foi assim que conheci o poder e o mistério da contradição. 

Eu conhecia aquele lado bonito, lírico, confortável e estava feliz com ele, apesar de passar por maus bocados por acreditar em coisas que pareciam ser de filmes ou livros de romance. Mas ele me tirava um pouco da realidade, não me permitia enxergar as responsabilidades que vinham com ele, a parte difícil, dolorida e feia de tudo aquilo. Acreditei que conhecia esse lado obscuro, mas não, eu o tentava sufocar, não queria pensar muito nele.

Sabe, foi assim que descobri que a verdadeira beleza não está na parte perfeita - e também não na parte feia, mas justamente no ponto de equilíbrio entre elas duas. E que ela só pode ser vista de forma real quando nos permitimos enxergá-la como ela é. A beleza é feia e a feiura é bela. 

É difícil ver tudo isso com todos os padrões que nos ensinam, com todos os padrões que criamos, com a nossa forma de enxergar tudo de forma tão não real, porque talvez tenhamos medo do que é real, acreditando que a realidade não é agradável. 

Um dia uma grande tempestade começa a fazer sentido e não conseguimos nos imaginar sem ela. E aqueles raios e trovões que nos apavoravam são os mesmos que depois de uma fração de segundos nos fascinam. E isso é estar no contraditório, no centro dos paradoxos. Talvez isso seja a vida. Talvez isso seja crescer. 

P.s: Todos os meus conflitos internos e questões a resolver foram os responsáveis por tirar uma venda dos meus olhos, aquela que me fazia crer que a vida só podia ser bela se eu a fantasiasse um pouco. 








terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Na madrugada



Madrugadas falam segredos, revelam amores, fazem silêncio. Sou, a quase duas da manhã, um monte de palavrinhas que quis escrever no papel e ler e reler e ver se o sono toma conta de mim. Sabe, nem tudo precisa fazer sentido o tempo inteiro. A graça de viver é não conhecer tudo, é não esperar pelo próximo segundo, é se surpreender.

Não que eu seja perita nessa coisa toda de viver, mas é que falar dela faz-me mais apaixonada por aquilo que ainda não conheço, pelos sons que não ouvi, pelas coisas que não toquei, pelas surpresas que não descobri.

Acho que viver é um pouco disso. Deixa a vida dizer se sim...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Penumbra



A chuva caia lá fora e tranquiliza-me o corpo com a melodia que gota a gota produzia. Dia de dormir na sala e ficar até tarde assistindo séries policiais. A mistura do friozinho que a chuva produzia, as cobertas quentinhas e assistir TV trouxeram-me sono. Estiquei-me, desliguei o DVD e fiquei olhando a escuridão que tomava a sala por completo, esperando meus olhos não conseguirem mais ficar abertos. Comecei a enxergar pessoas, rostos, monstros, coisas absurdas. Cobri-me na tentativa de me proteger com a coberta, como se ela pudesse de fato me proteger de algo. E senti medo. E fiquei com vergonha de mim mesma por sentir medo. Logo eu? Uma garota na minha idade com medo do escuro e das alucinações que ele trás?

Pois é, a vida é cômica.

Eu ali, em meus plenos dezenove anos, tomada pela escuridão, ás duas e tanto da manhã, com a chuva lá fora a cair e a luz da rua invadindo a sacada, fechei os olhos e quando os abri, sorri.

Quantas vezes, nessa coisa de "ser gente grande" eu esqueço das alucinações que tenho quando tudo parece estar escuro na vida? Quantas vezes faço as situações mais problemáticas que elas são? Quantas vezes eu enxergo monstros e pessoas desconhecidas onde só existem coisas com as quais eu já estou familiarizada e que somente não consigo enxergar? E a sala, pouco a pouco, ficava em minha mente como ela verdadeiramente era. O escuro não se tornou mais amedrontador.

Lembrei-me de quando era criança, dos medos que sentia e pensei na Bárbara agora, com os medos de gente grande. Pensei em como eles são ainda mais bobos e irreais.

A escuridão era a falta de luz. Medo é como estar em um lugar escuro quando se tem medo do escuro. É enxergar coisas irreais em algo que é real. É se preocupar sem precisar estar preocupado.

Quero aprender a enxergar no escuro da vida, a trazer luz, a me cobrir da certeza de que sou protegida, fechar os olhos e sorrir. Sei que meus medos são superados quando confio Naquele que pode me acolher em meio a escuridão. Quando confio, não há medo.

E assim, houve luz.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Algo depois do almoço



Acredite, existem mais razões pra ser feliz que para ser triste. Acredite, a vida sabe ser bela em suas complicações. Acredite, as pessoas te amam mais do que você consegue acreditar. Acredite, amor é uma coisa mais complicada do que se calcula. Mas ele é a maior inspiração pra tudo que se pensa, pra tudo que se faz, pra tudo o que você é.

Acredite, metade de tudo o que você vê no mundo não é pura verdade. Acredite, você pode mudar as coisas. Você se sente uma pequena pedrinha no oceano? Bem vinda ao time daqueles que ainda não conseguem acreditar no potencial que têm. Não sabemos o quanto uma pedrinha pode influenciar no curso de uma corrente.

As vezes fazer nada é fazer tudo.










Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
acreditar nos sonhos que se têem
ou que os seus planos nunca vão dar certo
ou que você nunca vai ser alguém...
Renato Russo














.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

É quinta feira de novembro



O dia acabando, terra do Pão de Açucar e Cristo Redentor, cabelo meio solto, acabei de colorir as unhas, cheiro de algo bom vindo por ai, Angel persistindo no violão, uma paz que sem querer vem fazer parte de mim. Eu fico aqui sem querer e sem saber o que fazer.O tempo passa, as flores crescem, os cabelos caem, Ele me ama mais.

É só mais uma tarde do fim de novembro pra um monte de gente. É só uma data de aniversário, o dia que a conta vence, o dia que o namoro acaba, o dia que cai o primeiro dente, o dia que o sorriso marcou, o dia do abraço, o dia de surpresas, o dia de querer ser mais alguém, mais de ninguém, ou de alguém. Talvez um dia pra se apaixonar, pra sorrir, pra cantar, pra escrever, pra aprender a tocar.

Pra mim é só dia de ser eu.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Uma pequena parte



Lembro dos preparativos de um grande dia em minha vida. Eu entraria naquele avião sozinha, eu teria que administrar o dinheiro pra não faltar no fim do mês, a rotina se tornaria diferente, as pessoas eram singulares, de todos os lugares do Brasil.

Enquanto filmava aquelas nuvens já negras do avião ficava pensando em tudo aquilo para o qual eu não estava pronta. Pensava em minha ignorância pra tudo que viria e na verdade eu estava indo pra lá como uma criança que precisava aprender algo que não sabia o que era. Pensava no clima que eu não conhecia, na vida que eu não tinha, nas palavras que eu ouviria, nas risadas que daria e nas lágrimas que rolariam dos meus olhos. Nada foi como imaginei durante aquele voo de aproximadamente uma hora e meia.

Estava pisando em solo curitibano e não encontrava minhas malas na esteira do aeroporto Afonso Pena. Atrasei alguns minutos pra encontrá-los do outro lado daquelas portas de vidro, mas eles estavam lá. Reconheceram a minha cara um pouco assustada, cheia de expectativas.

Fui a penúltima a chegar no quarto. A última chegaria um pouco antes do primeiro café da manhã naquele lugar. Quando finalmente deitei na cama e olhei para aquela grade de madeira que eu veria durante três meses   foi instantâneo pensar: O que estou fazendo aqui?

Não sei se, faltando alguns dias para acabar este tempo, já consigo encontrar a resposta. Eu já pensei a ter encontrado muitas e muitas vezes, mas é sempre mais do que imagino. Sim, é tempo de plantar sementes, de responder a um chamado, de aprender, de fluir, de ser transformada. Mas amanhã eu descubro um motivo que até agora não conhecia e, sabe, isso faz esse tempo ser incrivelmente inesquecível.

Lembro de tantos pequenos detalhes. Olhares, lágrimas, danças, gargalhadas. Eu lembro das conversas, das chatices, das confusões, das chateações. Já foi mais, muito mais do que eu poderia ter imaginado.

Eu lembro Pai, dos dilemas que invadiram minha mente, eu lembro dos dias que eu queria fugir do mundo, que eu queria correr pra um abraço que eu não conhecia. Eu lembro Pai, de tudo o que você me disse, de tudo o que você mostrou, de todo o amor que você me deu e gerou em mim.

A inexperiência fez de mim um pouco mais aprendiz. E me tornar aprendiz me fez perceber que em algum aspecto eu ainda continuo inexperiente.

A vontade de fazer algo que fosse grande me tornou medrosa, mas o amor que lança fora o medo me mostrou que pequenos gestos são suficientemente grandes em si.

O cheiro que inundava as minhas narinas não era o cheiro que eu poderia por completo exalar de mim. Existia algo mais para dar e esse algo era eu mesma.

Primavera foi esse tempo. Tão lindo quanto as flores que eu tanto admiro. Tão singular como o cheiro que cada uma delas exala. Tão perfeito quanto é o Criador delas. Tão cheio de surpresas como são os espinhos daquelas que as tem.

Tempo de ser eu. Tempo de descobrir quem sou eu. Tempo de ser Tua. Tempo de descobrir quem é Você. Tempo de amar quem está ao meu redor. Tempo de simplicidades grandiosas. Tempo de muitas lágrimas.

O pior de tudo o que já passou é saber que nada volta mais. O melhor, no entanto, é saber que me esperam logo ali na frente perfumes que eu não senti, sonhos que eu não sonhei, pessoas que eu não conheci, momentos que eu não vivi, mistérios que eu ainda não descobri.


Fez, faz e fará valer a pena.











As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam. 

1 Coríntios 2:9b

domingo, 30 de outubro de 2011

Terra carioca

Aqui eles têm um sotaque que eu não canso de escutar,é um chiado gostoso que eles insistentemente afirmam ser algo normal. É quem disse que não é?

Eu tenho rotina, faço almoço, preparo lanche, o jantar, não todo dia e é pra mim e mais alguns. O calor e a umidade no ar. Eu olho pra lá, olho pra cá, tem morro pra todo lado, tem gente boa pra todo lado. Dois beijinhos na bochecha, eles respondem "bom dia" quando eu resolvo acordar de bom humor.

Eu vou pra praça balançar meu swing, eu vou pra praça representar, eu vou pra praça pra falar, conversar. E nessas conversas eu vejo lágrimas, eu escuto perguntas, eu vejo gente me olhando vendo em mim algo que nem eu sei ver.

O que você tem procurado? O que você tem dado de você?

domingo, 23 de outubro de 2011

JOCUM

Fazia uma tempo que eu queria escrever. Estive três meses em Curitiba e agora vou ficar dois no Rio de Janeiro. A missão? Levar a todo o mundo o que eu tenho sentido aqui dentro de mim. Eu não sei muito bem quais palavras colocar aqui. Não sei muito bem o que quero falar também.

Mas sabe, talvez tudo se resuma em uma frase: Quando você realiza os sonhos de Deus não custa para Ele realizar os seus.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Smile




O nome do filme é Mother and Child - Destinos ligados. Com ele, eu senti vontade de ser feliz de uma forma diferente. Sem delongas e tentativas frustrantes de tentar expressar-me bem, eu senti tocar em mim uma música que estava guardada e eu não conhecia em uma caixa ao lado da vitrola em minha sala de estar. Pessoas se conhecem, pessoas vivem, pessoas morrem, pessoas choram, pessoas se casam, pessoas se separam, pessoas fazem amor, pessoas fazem guerra, pessoas acreditam em algo, pessoas sentem medo, pessoas querem ser felizes. Eu, particularmente, quero uma felicidade diferente. Isto por hoje me é suficiente.



Nele confiou o meu coração.
Salmos 28:7













.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Porquês




E se me engano e digo que já fui, quando na verdade eu nem sei onde estava a andar? Eu olhava para o céu enquanto eles procuravam pedrinhas, sabia que não eram nelas que eu encontraria o que buscava. Talvez também não estivesse escondida entre as nuvens. Eu nem quero saber.

Seja minha loucura ainda mais louca e meus devaneios cada vez mais incompreendidos. Fui a errada de um mundo certo ou a certa em um mundo errado, tanto faz. Sempre gostei desses moldes que nem tão poucos são meus, apesar de muitas vezes fingir que estivéssemos brigados.

Não me pergunte mais se eu prefiro margaridas ou tulipas, porque não gostar das duas? Por que não beijar-te a boca e pela primeira vez esquecer de fechar os olhos? Eu começo a rir, você me pergunta o que foi e o que eu sei responder é amar-te, porque o que eu sei fazer é amar-te. Todos os dias e eu nem sei porquê.

Talvez eu escreva uma música, talvez eu leia só um livro de cada vez, talvez eu colecione selos. Talvez eu me perca no teu peito e não queira me encontrar. Talvez eu desista.

Eu não sei.

Já confundo o meu reflexo no espelho com as linhas que tracejei em uma folha de caderno antigo. Eu o dobrei, eu o guardei, eu o redescobri. Se encontro na ponta dos meus dedos as respostas que não quero ter, eu continuo a escrever.

A falta de fôlego que sinto não se vai com as sílabas que, sem sentido e sem razão eu insistentemente ainda estou a montar no teclado. Quero uma palheta de novas cores, quero no meu mundo mais amores, quero e não vou parar de pensar em você.

Falta-me coragem, eu sei.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Peace





Dormir no calor do Teu cangote. Descansar. Eu quero esquecer dos minutos que passam. Eu quero Teu calor, Teus braços, Teu amor.

No balanço dos Teus braços, sonhar.

Completamente apaixonada eu sou.

É amor. É tudo que sei.














.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sem título




Nesta tarde, eu gostaria de um pouco de mar. Da água salgada, da areia a esconder meus pés, daquela brisa fresca, naturalmente bem temperada, em um final de tarde, com o sol quase chiando no horizonte. Eu queria aquela melodia nos meus ouvidos, aquelas ondas que quebram para a direita, para a esquerda, para cá. Soltar meu cabelo, uma roupa leve, havaianas nas mãos. Eu queria esquecer do concreto, da cidade planejada, do coração do Brasil. E não que eu não ame Brasília, mas é que hoje, eu queria mar.

Não dormi muito bem esta noite. Tantas coisas têm acontecido comigo. Tantos novos sonhos para sonhar, tantos novos versos a escrever, tantas novas sílabas que eu não quero vocalizar, fico as cantando em secreto, parece assobio. Não sei para quem são.

Marca a página do livro. Desliga o abajur. Se esconde nas cobertas. Fecha os olhos. Abre os olhos. Fecha os olhos. Aperta o travesseiro. Vira pro outro lado. Barriga pra cima. Abre os olhos. Escuridão. Onde está o teto? Eu vejo minhas amadas estrelas. 

- Está na hora de abrir os olhos. Está na hora de sonhar.

- Mais do que já tenho sonhado?

Um sorriso.

- Sonhar de forma diferente...

[...]

Algumas pessoas possuem o dom de se fazerem importante em nossa vida sem fazerem qualquer esforço. E foi assim que ela se tornou, de alguma forma, importante pra mim.

Me abraçou. Via uma flor. Uma flor que não conseguia exalar seu perfume, uma flor que não se deixava fluir. Parecia existir uma bola em seu caule, algo que parecia estar guardado, que estava sendo acumulado ali há algum tempo.

Por mais que eu não gostasse de admitir era eu, aquela flor sou eu.

Sinceramente não sei porque estou escrevendo este texto. Não sei exatamente o que quero falar. Não sei se encontrei uma introdução, um desenvolvimento, uma conclusão. No fim, eu sei que não quero uma conclusão.

Eu quero fluir. Fluir de verdade.

Quero deixar que esse perfume escondido aqui dentro rompa seus limites e me deixe enfim respirar. Eu quero livrar-me do medo de me permitir ser feliz. Eu quero sonhar de forma diferente.

Sei o que tenho guardado em mim, sei o que não tenho deixado fluir, sei o que tem me dado medo, o que tem me feito chorar em alguns momentos, sei que, de alguma forma, me faz sonhar. Não tenho deixado que esse perfume inunde meu quarto no meio da noite e me tire o sono, as palavras, a calmaria no peito, a lucidez. Eu o tenho escondido, eu sei, o tenho escondido por muito tempo.

E talvez por isso eu queira o mar.

Lembro-me de um verão em Santos, litoral de São Paulo. Era primeiro de Janeiro e o mar estava agitado. Suas ondas subiam a mureta de proteção, invadiam o asfalto, acordavam a cidade. Eu estava no 13° andar, vista privilegiada. Conseguia ver transatlânticos lá no fundo, pequenos barcos de pesca, kaiaks. Naquele dia não. O céu estava cinza, a cidade estava suja, o mar estava furioso.

Aquele mesmo azul-esverdeado que eu namorava horas e horas na varanda, era o azul-cinzento que assustava-me e impressionava-me naquele primeiro dia do ano.

Ele fluia. Tempestuoso, calmo, de qualquer cor. Ele fluia. Não tinha medo se iria encontrar algum obstáculo a sua frente, no meu caso, alguma decepção. Não tinha medo de assustar pessoas, no meu caso, de decepcioná-las. Não se importava se fazia barulho, no meu caso, de me notarem. Não tinha medo.

Eu quero me permitir perder o sono no meio da noite, perder o apetite, ver um filme no teto do quarto, sorrir um sorriso bobo, entregar cartas, escrever novas palavras nos cantos do caderno, lembrar de um nome. Eu quero esquecer do medo. 

Um pouco de mar. Amar e saber quem.



sábado, 18 de junho de 2011

Mar



Minha mente, puro turbilhão. Sinto flores crescendo dentro de mim. Eu as vejo crescer aqui no meu peito. Onde está o oxigênio que falta pra encher meus pulmões? Perco o ar. Surge, sutil, um sorriso em mim.

[...]

Noite fria na capital. Conjunto moletom de calça e mangas compridas, meias, cinco cobertas, janela fechada, dentro de casa. Meus pés demoraram a esquentar. Abri e fechei os olhos muitas vezes. Desliguei o abajur. Não conseguia dormir. Minha mente estava inquieta. Eu estava inquieta. Pensava em tantas coisas. E tantas delas me traziam uma vontade tão grande de chorar, chorar por horas; parecia que mesmo assim eu não me livraria delas. Continuariam a doer. Continuariam a tirar-me o sono. Continuariam a incomodar-me.

Pensei nas pessoas que não tinham uma casa para onde voltarem, que estavam vagando nas ruas. As imagens que tenho delas em minha mente não me trazem nenhum conforto. Uma blusa, geralmente rasgada, bem fininha, uma bermuda, pés descalços, uma sacola, um carrinho de supermercado, uma história que eu não conheço e com a qual tantas vezes fui alheia. 

Como sou egoísta. Como sou ingrata. Como me senti envergonhada. Eu estava aflita com coisas com as quais eu não precisava me preocupar, porque meu Pai já me disse inúmeras vezes que tem cuidado delas pra mim. Parece que é cômodo ter algo a pedir antes de dormir. Parece não ser injusto. 

Enquanto estou aqui escrevendo, sinto minhas mãos geladas, as pontas dos dedos estão dormentes. Fico me perguntando por quanto tempo ainda vamos deixar que nossos corações fiquem assim. Fico aqui me perguntando por quanto tempo estaremos tão focados nas nossas coisas, que esqueceremos de ver quando elas estão acontecendo em outro lugar. Nós perdemos tantos dos nossos sonhos porque queremos que eles aconteçam do nosso jeito. Nós focamos tanto a nossa atenção em nós mesmos, nos nossos problemas, nos nossos sonhos, na nossa vida.

Certa noite, em um barco, alguns homens avistam, vindo do horizonte, um homem a andar sobre as águas. Ficam assustados acreditando ser um fantasma o que estão vendo. Alguém corre pelo barco, acorda os outros tripulantes e, atropelando as palavras, em alto tom, tenta descrever o que via, o que pensava ser aquilo. Todos eles, assustados por dentro, levantam-se e vão ver o que é. O suposto fantasma está ali na proa do barco a sorrir. Eles vão a passos lentos, procurando mostrarem-se fortes uns para os outros. "Ei, não tenham medo, sou eu, o amigo de vocês, Jesus". Pedro, o mais ousado, responde: Se for mesmo você diga-me para ir ao seu encontro. Ele responde: Vem, Pedro. Pedro larga as cobertas e se joga ao mar. Nesta hora, Jesus dá uns passos para trás, na tentativa de deixar Pedro com espaço suficiente para dar alguns passos. Pedro, alucinando de alegria, caminha até ele. A Lua a brilhar lá atrás faz com que as águas aos pés daqueles dois se torne como prata. O mar estava agitado naquela noite. Uma onda. As águas alcançam as canelas de Pedro, o medo lhe aperta a garganta e tudo o que ele consegue dizer é: Jesus, Jesus, ajuda-me! Jesus corre ao seu encontro, olha Pedro nos olhos e pergunta: Por que duvidaste? (Mateus 14:22-36)

Temos alguém para cuidar dos nossos problemas, dos nossos sonhos, de nós. Temos alguém que nos permite ter o nosso espaço, que nos permite caminhar, sermos livres. Ele dá alguns passos para trás para que possamos caminhar com nossas próprias pernas. Já viu o que um bebê estampa em seus lábios quando está andando em direção a alguém? Já viu a alegria que ele sente quando consegue acelerar um pouco mais os passos? Quando consegue equilibra-se? A liberdade nos torna felizes. E muito bem sabe Ele disso.

Eu ainda não vi um bebê que aprendeu a andar olhando para os seus próprios pés. Ele olha para frente, olha para onde quer chegar. Pergunto-me porque temos esquecido de fazer isso em nosso dia-a-dia. Por que ainda colocamos o nosso foco onde não deveríamos colocar? Se nos preocupamos com o próximo passo a dar, com a nossa capacidade em dá-lo, se vamos ou não cair, será que conseguiríamos chegar naqueles braços a uma pequena distância de nós? 

Por que Pedro tirou os olhos dos de Jesus? Por que ele não parou para observar a Lua que coloria o mar? Por que não chamou os outros para andarem com ele? Por que olhou para os seus pés e teve medo da água que chegou às suas canelas?

Por que, com uma cama quentinha, um beijo de "boa noite" ainda na testa, dentro de uma casa, com pessoas a me amarem e meu Pai, na ponta da cama, a me acariciar os cabelos eu ainda tive medo? Por que eu estava tão preocupada? Por que deixei meu coração se inquietar se Ele já tinha me dito que eu poderia pular do barco, que eu poderia andar sobre as águas, que eu poderia alegrar-me?

Buscamos tanto uma liberdade que já é nossa. E quanto mais tentamos encontrá-la, mais nos perdemos dela. Não vamos encontrá-la no nosso umbigo, nos nossos pés. Ela está nos olhos daquele que pode andar sobre as águas.

Seus olhos estão atentos em todos nós. Estamos a caminhar em um mar onde existem tempestades. Pra quem você olha quando vê a água chegando a sua canela? O que você diz? 

Quando olhamos para aqueles olhos, sentimos vontade de olhar para as pessoas ao nosso redor. Alguns sentem fome, frio, medo, outros se sentem mal consigo mesmos, com o lugar em que estão, com o que estão fazendo. 

Ele nos deu liberdade. E não a tira de nós. Corre em nossa direção e nos pega em Seus braços se O chamamos para isso. É uma luta contra Ele mesmo ver pessoas que Ele tanto ama se afundando cada vez mais, desesperadas, sem saberem o que fazer.  Ele gostaria de pegá-las em Seu colo, olhar em seus olhos e dizer: Estou aqui, eu sempre estive aqui.

Ele não é uma religião, Ele é nosso pai, nosso amigo, nosso amante, nosso mestre, nosso ajudador. Ele corre em nossa direção. Ele nos amou antes de tudo.

Que o frio não congele o nosso coração a ponto de não nos importarmos mais se outras pessoas têm olhado naqueles olhos. Que sejamos capazes de olhar menos para os nossos próprios pés. Que possamos ser como Ele é. Que descubramos quem Ele nos criou pra ser. Que águas de amor nos inundem. Que percamos as palavras muitas e muitas vezes. Que possamos enchergar a Lua a brilhar no horizonte, dizendo para nós que existem coisas que não precisamos entender. Que percarmos o ar com as flores que vemos florescendo dentro de nós. Aqueles olhos fazem isso. Só aqueles olhos sabem fazer isso.




Pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento.
Tiago 1:6

Porque se contempla a si mesmo e vai-se, e logo se esquece de como era.
Tiago 1:24

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.
Gênesis 1:26













terça-feira, 14 de junho de 2011

Em cada gotinha







Acordei completamente amanhecida. E tinha um brilhinho de sol em cada gotinha da chuva fina na manhã de hoje. Alguma coisa me diz que coisas grandiosas estão por vir. Por isso abro meu coração pra alegria, pra vida e pro Sol que acaricia e não machuca. E é nesse estado de gratidão e contentamento que qualquer pensamento
negativo que eventualmente surja, morrerá de inanição.

Marla de Queiroz











quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dia



Estive pensando. Pensando em loucura.


[...]

Acordo quando o sol ainda não surgiu nestas terras que um dia Colombo desbravou, a América. Ou a terra que falava tupi antes de Cabral resolver aventurar-se nos mares, o Brasil. Acordar é um processo, minha rotina é um processo, a vinda do astro maior é um processo. Ele sempre surge ali no outro dia, colorindo o céu em cores que ainda não consegui encontrar em lugar algum.

"Bom dia pituco" para o Bob, com cara de que o sono estava muito bom, obrigado. Desço as escadas e rua. Vou andando para a parada, tentando enchergar aquele balé invisível que desalinha meu cabelo, chacolha minhas roupas e leva-me a esconder as mãos em baixo dos braços.

Quem mandou estudar tão longe?

No ônibus os rostos são sempre os mesmos, apenas mudam de lugar. Fico os procurando por um tempo, tento contar alguma coisa, olho pela janela.

Como eu amo janelas. A janela do ônibus não é bem meu ideal de janela, mas confesso que gosto de lembrar das peculiaridades que já vi através dela. Pois é.

Fico imaginando o futuro, lembrando da minha infância, rindo de uma palhaçada alheia, olho no celular e no relógio de pulso. Mesmo horário. Volto a viajar. China, Japão, Itália, Nova Zelândia, Portugual, Índia, Iraque, Israel, Hawai. Vou pra lá, ver sol, ver neve, ver olhos puxados, ver gente, ver mar. Ah saudade do mar!

Pouco a pouco eu me despeço silenciosamente daquelas pessoas que eu gosto de conhecer. Sei que é uma palavra muito forte, mas é que no momento eu não encontro outra que faça senti-me feliz como essa. Conhecer gente.

Fico imaginando em que elas têm pensado, se já pularam de paraquedas, se falam inglês, se já foram à Salvador. Fico tentando imaginar suas vidas. Seu passado, seu presente, seu futuro. Poucos sorriem, ninguém canta durante a viagem, todos parecem estar cansados.

E eu, como será que eles me vêem? Para mim, esta é uma das mais intrigantes perguntas, porque as primeiras respostas que vêm a minha mente são baseadas em minhas próprias impressões. Pois é.

Universidade. Aula. Intervalo - algumas vezes. Aula. Nada de sinal. Parada. Ônibus. Casa. Sem carro na garagem. Minha mãe já foi trabalhar. "Oooooi pituco, como você tá?" - como se ele pudesse responder. Chave na porta. Ah, como é bom o "ar de casa". Neste dia a Débora já tinha chegado.

Ficamos um bom tempo conversando. Esquecemos de tudo que tínhamos para fazer, nos escondemos nas cobertas e conversamos até a garganta doer. Nestas horas eu penso que minha garganta deveria ser um pouquinho mais forte.

Às muitas sílabas já trocadas, algumas gargalhadas, alguns segundos de silêncio, já na quarta, pé na embreagem para quinta ela me diz: Mas todos nós somos loucos e sempre vemos os outros como loucos, a loucura na verdade é algo que faz parte de nós...

- A normalidade não existe.

Sair do calor da minha casa, com o sol ainda despertando e curtir a minha rotina, escrevendo textos o tempo inteiro - textos que eu sempre esqueço, aliás; ver gente, tentar entendê-las é tão pequeno. É tão pequenina loucura.

Cair na balada, curtir um baseado, quebrar paradas, conseguir pichar o topo do Everest, pegar geral, tirar a nota mais sinistra na matéria de cálculo, assistir todos os filmes da "tela quente"... Também são loucuras tão pequeninas.

Nós fazemos tantas pequenas loucuras ao decorrer do dia. Somos tão pequenos loucos neste mundo.

E sabe? Eu fico pensando na maior loucura que eu já ouvi falar na vida.

Alguém que podia abraçar e pentear os cabelos dos mais lindos seres, que podia abraçar um pai e assim, ao mesmo tempo, se abraçar, que era a expressão de amor, de alegria, de grandeza, de simplicidade, que podia criar o que lhe convinha, que podia ser o que quisesse ser, que podia fazer o que quisesse fazer. Esse alguém abre mão de tudo. Ele abre mão de tudo. E decide morrer, morrer por amor. Não sei se eu morreria por alguém como ele morreu. Não sei se seria capaz de amar alguém o suficiente para não me importar se ela gosta ou não de mim e me entregar. Eu não sei se teria coragem de abrir mão de pequenas loucurinhas diárias, e que me fazem feliz, para que outra pessoa pudesse fazer suas loucurinhas diárias. Eu não sei.

E mesmo sabendo que, mesmo para morrer - morte física - por ele, eu não sei se teria coragem, ele decidiu morrer por mim.

Ele morreu por todos nós.

Eu concordo quando escuto que isso é tudo uma grande loucura. Porque realmente é uma grande loucura. Mas sabe, você realmente ainda acredita que algo neste mundo é normal?

Já pensou que as margaridas são todas da mesma cor? Já viu que as centopéias têm cem perninhas - créditos à Suellen? Já viu a descarga de adrenalina em uma criança ao nascer? Já ficou olhando suas mãos algum dia? Já perdeu uma tarde vendo o vento dançar com as plantas? Já viu que horas as estrelas resolvem aparecer? Já viu como a água que brota tão pura e delicada da terra se torna em um rio estrondoso?

Segundo o dicionário, normalidade é um estado padrão, um ponto de vista comum. Aquele que anda para a esquerda quando todos estão andando pela direita é anormal. Eu me pergunto se esta normalidade de que o dicionário fala existe, afinal, somos seres únicos, com decisões únicas, não existe um padrão, apesar de  buscarmos nos adaptar aos padrões alheios, na tentativa de sermos aceitos, de sermos vistos.

A natureza não é normal. Não somos normais. Somos únicos, desafiamos qualquer lógica, temos nossos próprios padrões, nossa própria forma de enchergar o mundo.

Nessas pequenas sutilidades em nós e em tudo que está a nossa volta, existem pequenas cartas de amor que são deixadas, o tempo inteiro, por aquele que nos ama de forma absurdamente... louca. Porque alguém que nos ama como Ele ama, capaz de se entregar por nós, mesmo que, muitas vezes, O tiremos do nosso campo de visão, que O excluamos dos nossos padrões, do nosso horizonte, não pode ser normal. Não segue nenhum padrão. Ele é ele mesmo. Com sua forma inusitada de pensar. Com sua forma inigualável de amar. Com seu jeito único de ser feliz. Com sua loucura por nós.

E sabe de outra coisa? Ele ama nos explicar suas loucuras. Cada uma delas.










Da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento.
Provérbios 2:6

Ninguém tem maior amor do que este.
João 15:13






"O que me fascina em Jesus não é só a capacidade de ressuscitar os mortos, de curar os cegos ou os paralíticos. O que me fascina nele é a sua capacidade e coragem de dizer que Deus é Pai, um Pai que ama os que não merecem ser amados, que abraça os que não merecem ser abraçados e que escolhe os que não merecem ser escolhidos. Um Pai que quebra as regras ao nos desconcertar com seu amor tão surpreendente, um Pai que não quer se ocupar com os erros que você cometeu até o dia de hoje. Porque o amor que Ele tem por você, é um amor cheio de futuro, Ele não está preso no seu passado e a Ele não interessa o que você fez ou deixou de fazer de sua vida, a Ele o que importa é o você ainda pode fazer."










.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O grande artista, o aventureiro e a poeta



Era sua alma radiante, peralta, contagiante. Inventava brincadeiras, montava novos mundos, fazia da vida bela, mesmo que ela não fosse. Era seu sorriso a vida de uma fotografia. Sentia vontade de procurar felicidade quando olhava-a sorrir.

Ela me ganhava assim, sem perceber. Era tão linda obra de arte que eu não conseguia tirar-lhe os olhos. Nunca fora como as artistas de tv e as modelos de passarela, ela era incrivelmente ela. Sua beleza estava na forma como falava, na sua dança despreocupada, nos versos que faziam-me ver o mundo de forma diferente, nas suas caretas. Era minha bela, era minha menina, eu sabia.

Tinha vontade de roubar-te pra mim. Tinha vontade de ficar lhe admirando todo dia, o dia todo. Tinha vontade de ter você comigo. 

Ainda me lembro a primeira vez em que te vi, impossível esquecer. Você nem a notar que eu te percebi. 

Não buscava amor nenhum. Ainda acreditava que era de outra pessoa meu coração. Mas um olhar, o coração a bater forte e eu sem entender o que estava acontecendo. Seu sorriso, eu não conseguia pensar em outra coisa.

Eu que sempre fui o despreocupado, não conseguia pegar no sono. O cara com gênio forte, pensamento acelerado, espírito inquieto. Pela primeira vez não sabia o que fazer. Sabia apenas me envolver naquele abraço que tão bem conhecia.

[...]

Ele sempre fora um desses garotos que a gente sempre quer por perto.

Enchia-me de uma alegria gostosa ao vê-lo contar as histórias que nunca lhe faltavam. Gostava de vê-lo perto de mim, de ouvi-lo cantar, de rir com ele.

Foi quando dei-me conta de que ele estava a ocupar-me a cabeça por muitas horas do dia. Eram dele as novas canções que eu escrevia, o novo palpitar do coração, os suspiros avulsos. E apesar de não encontrar muito sentido em tudo o que via brotar em mim, eu gostava da ideia de me deixar levar.

Tinha medo do que estava acontecendo, mas, ao mesmo tempo, queria continuar sentindo.

Em minha mente, um turbilhão de pensamentos. Pensava em um possível futuro, em um presente surpreendente, buscava juntar as peças. Era inútil. Eu queria fugir do que sentia, eu queria me prender ao que começava a sentir.

Eu estava aprendendo a amá-lo. Eu gostava de estar, cada dia mais, a me apaixonar por ele.

Era a parte que me faltava, a palavra que eu sempre quis pra mim.

Eu gostava de cada sutilidade sua, de cada detalhe seu. Eu me sentia segura no teu abraço, como se o mundo não pudesse mais, de forma alguma, atingir-me. Os minutos ao seu lado eram eternos. Eu bem sabia que meu coração não podia mais ser de outro alguém.

[...]

Sempre gostei de fazer histórias. Estava a escrever a deles há muito tempo, muito antes de nascerem. 

Apesar deles não conhecerem os capítulos que tenho escrito enquanto dormem, sei que têm confiança de que cuidarei bem das frases que têm a mim dirigido.

Como eu amo estes dois pequenos.

Ele sempre fora meu companheiro apaixonado. Meu pequeno menino, meu grande corajoso. Poucas vezes percebia como sua ousadia com tudo o que me dizia respeito contagiava outros pequeninos meus. Eu tinha orgulho em chamá-lo de filho, gostava de compartilhar com ele as coisas que vinha pensando. Um coração contrito, uma alegria diferente no olhar, a certeza de que eu estava sempre ao seu lado, uma alma simples. Enfrentava seus medos, buscava reconhecer suas falhas, rendia-se a mim.

Ela, meu rubi. Gostava de escreve-me frases no cantinho dos cadernos e foi assim que eu comecei a inundá-la com meus singelos versos. Nas suas lágrimas, ela se torna a fortaleza que é, minha pequena jóia a irradiar meus dias. Como é bom vê-la acordar e sorrir pra mim, convidando-me a fazer parte do seu dia. Sinto prazer em ensiná-la novas rotas, guiá-la a novos horizontes, vê-la se libertando do medo, da insegurança. Sua meiguice, sua determinação, seu amor por mim. Era bom ver minha pequena crescer.

Sabia que ele precisava da beleza com que ela via a vida, precisava das pétalas que a vida tem. Ela precisava daquela coragem aventureira, da loucura que ele tinha.

Os criei um para outro.

Agora, era apenas uma questão de tempo.

Enquanto isso, lá estava eu, a colorir novas margaridas e sorrir-lhes em novas manhãs. 

Um dia eles saberão que estive sempre aqui, a tecer-lhes uma história juntos.





Dias dos namorados chegando, inspiremo-nos!




El amor lo puede todo.














.